Eu estava no meio de uma partida de um jogo antigo — aquele modo de revisitar clássicos que todo gamer veterano conhece bem — quando uma notificação apareceu no celular. Era o anúncio de data de lançamento de um título que eu acompanhava havia quase dois anos. Fechei o jogo antigo na hora. Não porque o clássico fosse ruim, mas porque aquela sensação de “vai chegar, vai chegar” finalmente tinha uma data concreta. Quem é apaixonado por jogos sabe exatamente do que estou falando.
2026 está sendo um ano generoso pra quem gosta de videogame. E quando digo isso, não é animação vazia — é observação de quem acompanha lançamentos há mais de quinze anos, ensina sobre o tema e ainda assim se pega surpreso com algumas das escolhas das desenvolvedoras esse ano.
Vou te contar o que vale mesmo sua atenção — e a ordem natural em que você deve pensar antes de sair comprando tudo de uma vez.
Antes de qualquer compra: entender o que você quer jogar
Parece óbvio, mas a maioria dos erros acontece aqui. Eu mesmo já comprei jogos no hype, abri pela primeira vez semanas depois e percebi que não era o meu estilo. Dinheiro jogado fora — literalmente.
O primeiro passo real, antes de olhar qualquer lista de lançamentos, é saber em qual plataforma você está e qual gênero te move. Porque 2026 está entregando muito em frentes bem diferentes: RPGs de mundo aberto, soulslike, jogos de narrativa, shooters cooperativos e uma quantidade surpreendente de títulos indie que estão roubando a cena das grandes produtoras.
Se você tem um PlayStation 5, um Xbox Series X, um PC ou um Nintendo Switch — ou mais de um deles — a experiência vai ser diferente em cada caso. Alguns dos lançamentos mais aguardados deste ano são exclusivos ou têm janelas de lançamento distintas por plataforma. Ignorar isso é garantia de frustração.
Os lançamentos que estão dominando a conversa em 2026
Vou ser direto sobre os títulos que mais aparecem nas conversas do público brasileiro esse ano — tanto nos fóruns quanto nas perguntas que recebo de quem acompanha meu trabalho.
Monster Hunter Wilds
Esse foi o grande lançamento do início do ano. A Capcom lançou Monster Hunter Wilds em fevereiro de 2026 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S, e o impacto foi imediato. A franquia já tinha uma base enorme no Brasil desde o sucesso de Monster Hunter: World em 2018, e Wilds chegou com uma proposta ainda mais ambiciosa: ecossistemas dinâmicos, ciclos climáticos que afetam o comportamento dos monstros e uma progressão de personagem mais acessível pra quem chega novo.
O que me surpreendeu — e eu não esperava isso — foi a quantidade de brasileiros que entraram na franquia pelo Wilds sem nunca ter jogado World. O jogo foi pensado pra isso, e funcionou. A curva de aprendizado ainda existe, mas está muito mais gentil do que nas versões anteriores.
Se você ainda não jogou, é o tipo de título que justifica o preço cheio. Não é um jogo pra terminar em fim de semana — é pra viver por meses.
Elden Ring: Nightreign
A FromSoftware anunciou Elden Ring: Nightreign como um spin-off cooperativo do universo de Elden Ring, com lançamento previsto para 2026. A proposta é diferente do que a franquia costuma oferecer: partidas com estrutura roguelite, voltadas pra grupos de até três jogadores, com sessões mais curtas e intensas.
Eu confesso que fui cético no início. A FromSoftware tem uma identidade muito forte de experiência solitária e desafiadora, e misturar isso com roguelite cooperativo parecia forçado. Mas o que vi nas demonstrações mudou minha posição. A empresa conseguiu manter a tensão característica enquanto adapta o ritmo pra uma estrutura mais dinâmica.
Pra quem sempre quis entrar nos jogos da FromSoftware mas achava a barreira muito alta, Nightreign pode ser a porta de entrada mais convidativa que a empresa já fez.
Grand Theft Auto VI
Não dá pra falar de 2026 sem mencionar GTA VI. A Rockstar Games confirmou o lançamento para o segundo semestre de 2026 no PlayStation 5 e Xbox Series X/S — com PC previsto para depois. Depois de mais de uma década desde o GTA V, a expectativa é de um nível que eu raramente vi em qualquer outro lançamento da indústria.
O que já se sabe: ambientação na fictícia Vice City e arredores, protagonista feminina pela primeira vez na série principal, e um mapa que promete ser o maior já feito pela Rockstar. O trailer que circulou trouxe uma qualidade visual que deixou muita gente questionando se era jogo ou filmagem real.
Minha recomendação honesta: não entre no hype cego. GTA V demorou um tempo pra amadurecer e mostrar tudo que tinha. GTA VI vai ser grande, mas os primeiros meses pós-lançamento costumam ter ajustes. Quem puder esperar algumas semanas após o lançamento vai ter uma experiência mais polida.
Fable
O reboot de Fable, desenvolvido pela Playground Games para Xbox Series X/S e PC, é um dos títulos mais comentados entre quem tem memória afetiva da franquia original. A série tem um lugar especial pra muita gente que cresceu com o primeiro e o segundo jogo — e o Brasil sempre teve uma comunidade fiel de fãs.
O que a Playground Games está mostrando aponta pra um RPG de ação com humor britânico preservado, mundo aberto detalhado e uma abordagem mais moderna de escolhas morais. A expectativa está alta, mas ponderada — reboots de franquias amadas têm uma história complicada na indústria.
Metroid Prime 4: Beyond
Para quem tem Nintendo Switch 2 — o novo hardware da Nintendo lançado em 2025 — Metroid Prime 4: Beyond é um dos argumentos mais fortes pro console. A Retro Studios levou anos desenvolvendo esse título, e o que chegou ao público é um jogo de exploração e ação em primeira pessoa que respeita o legado da franquia enquanto moderniza a experiência.
Metroid sempre foi uma franquia de nicho no Brasil, mas quem a conhece é fervoroso. Se você tem o hardware e aprecia jogos que exigem paciência e exploração metódica, esse é um dos melhores argumentos do ano.
A questão do preço no Brasil — e como pensar nisso
Aqui é onde a conversa fica mais concreta pra nós, brasileiros. Jogos AAA chegam ao país com preços que, convertidos pra real, pesam bastante no bolso. Títulos que custam em torno de sessenta dólares nos Estados Unidos chegam facilmente a trezentos, quatrocentos reais nas lojas digitais oficiais, dependendo da cotação do dólar e dos impostos aplicados.
Eu já vi muita gente tomar decisões ruins por não entender como funcionam as janelas de preço. Algumas dicas que aprendi na prática:
- A PlayStation Store e a Xbox Store costumam ter promoções regionais que valem muito a pena monitorar — especialmente em datas como Black Friday e nas sales periódicas.
- Jogos no Game Pass (Xbox e PC) e no PlayStation Plus Extra costumam chegar após alguns meses do lançamento. Se você não tem pressa, a assinatura pode ser mais econômica do que a compra individual.
- Para PC, a Steam tem preços em real que muitas vezes ficam abaixo do equivalente em outras regiões — especialmente em promoções sazonais.
- Lojas físicas no Brasil ainda oferecem versões de segunda mão com desconto significativo, especialmente nos consoles Sony e Nintendo.
GTA VI, por exemplo, vai ser um dos jogos mais caros do ano no lançamento. Planejar isso com antecedência faz diferença real.
O que a galera brasileira está priorizando — e o que me surpreendeu
Acompanho comunidades de jogadores no Brasil há anos, e 2026 trouxe uma movimentação que não esperava ver tão forte: o interesse por jogos indie de alta qualidade está crescendo de forma consistente entre o público brasileiro.
Títulos menores, desenvolvidos por equipes pequenas — alguns deles por estúdios brasileiros — estão ganhando espaço nas conversas ao lado dos grandes lançamentos. Isso é resultado de uma combinação de fatores: preço mais acessível, distribuição digital facilitada e uma geração de jogadores que cresceu com plataformas como itch.io e a própria Steam.
Não vou fingir que sei o nome de todos os indie que vão se destacar até o fim do ano — isso é impossível de prever. Mas o padrão que estou vendo é claro: jogos com identidade visual forte, narrativas bem construídas e mecânicas originais estão competindo de igual pra igual com produções de orçamento milionário na atenção do público brasileiro.
Como organizar sua lista de desejos sem se perder
Essa é a parte prática que todo mundo precisa mas poucos param pra fazer.
O passo seguinte depois de conhecer os lançamentos é criar uma lista real de prioridade — não só de desejo. Coloca no papel (ou no bloco de notas) quais jogos você genuinamente vai jogar nos próximos três meses, não quais você acha que vai querer jogar em algum momento vago do futuro.
Eu já fiz isso errado por anos. Tinha uma biblioteca enorme no Steam com jogos que nunca abri. A virada foi quando comecei a comprar apenas o que eu ia jogar naquela semana ou mês — e minha satisfação com as compras aumentou muito.
Outro ponto: não compre no lançamento tudo ao mesmo tempo. Monster Hunter Wilds e Elden Ring: Nightreign, por exemplo, são jogos de longa duração. Se você começar os dois juntos, vai acabar não aproveitando nenhum direito. A ordem natural é terminar — ou chegar num ponto confortável — em um antes de começar o outro.
Sobre esperar patches e atualizações pós-lançamento
Esse é um tema que divide opiniões, mas minha posição é clara: dependendo do jogo e da desenvolvedora, esperar algumas semanas após o lançamento pode transformar completamente a experiência.
Não estou falando de jogos inacabados — estou falando de ajustes normais de balanceamento, correções de bugs e, em alguns casos, conteúdo adicional que chega nas primeiras semanas. Monster Hunter Wilds, por exemplo, já recebeu atualizações significativas nos meses seguintes ao lançamento que melhoraram aspectos que a comunidade apontou.
Quem comprou no dia um às vezes viveu uma versão pior do jogo do que quem entrou um mês depois. Isso não é regra absoluta, mas é uma variável real que vale considerar — especialmente quando você está escolhendo entre comprar no lançamento ou esperar uma promoção.
A única coisa que recomendo acima de tudo
Se eu tivesse que dar uma única orientação concreta pra quem quer aproveitar os lançamentos de 2026 sem se perder no hype e sem comprometer o orçamento, seria esta: assine um serviço de assinatura antes de comprar qualquer jogo individualmente.
O Xbox Game Pass Ultimate e o PlayStation Plus Extra — dependendo da plataforma que você usa — oferecem acesso a catálogos extensos por um valor mensal que, em muitos casos, é menor do que o preço de um único jogo AAA. Vários títulos do ano chegam a esses serviços com poucos meses de diferença do lançamento. Você economiza dinheiro, experimenta mais jogos e ainda descobre títulos que nunca teria comprado individualmente.
Eu demorei pra entrar nesse modelo — fiquei muito tempo no padrão de comprar jogo por jogo — e quando finalmente testei, não voltei atrás. Não faz sentido gastar quatrocentos reais num título que você pode jogar em dois meses pelo valor da assinatura mensal, especialmente num ano com tantos lançamentos relevantes competindo pela sua atenção ao mesmo tempo.
Aproveite 2026. Tem muita coisa boa chegando — e agora você já sabe por onde começar.






