Pular para o conteúdo

A Apoteose do Futebol: Por que a Seleção Brasileira de 1970 foi eleita o maior esquadrão de todos os tempos

O Esquadrão Imortal: A Coroação do Rei e seus Cavaleiros

Anúncios

No panteão do futebol mundial, onde lendas são forjadas em gramados sagrados, uma pergunta sempre ecoou entre torcedores e historiadores: qual foi a maior equipe a já ter chutado uma bola de couro? A resposta, embora frequentemente debatida em mesas de bar e redações esportivas, acaba de ganhar um veredito definitivo. A Seleção Brasileira de 1970, aquela que encantou o mundo sob o sol escaldante do México, foi oficialmente eleita como o melhor time de futebol da história em um novo ranking que analisa performance, impacto cultural e genialidade técnica.

Falar do Brasil de 70 não é apenas falar de números ou de uma conquista de Copa do Mundo. É falar de uma revolução estética. Sob o comando de Mário Jorge Lobo Zagallo, o Brasil apresentou ao planeta o que o dramaturgo Nelson Rodrigues chamava de ‘pátria em chuteiras’. Foi a primeira vez que o mundo assistiu a uma Copa em cores, e aquelas camisas canarinho vibrantes pareciam irradiar uma luz própria, simbolizando a perfeição tática aliada ao drible desconcertante e à improvisação genial.

A Engenharia do Tri: Cinco Camisas 10 em Campo

O que tornava o time de 1970 uma anomalia estatística e tática era a sua composição. Zagallo, em um movimento de audácia pura, escalou cinco jogadores que eram, essencialmente, os ‘camisas 10’ em seus respectivos clubes: Pelé (Santos), Tostão (Cruzeiro), Rivellino (Corinthians), Gerson (São Paulo) e Jairzinho (Botafogo). Teoricamente, o time poderia ser desequilibrado, mas na prática, tornou-se uma orquestra sinfônica.

Análise Tática: O 4-3-3 que se transformava em um rolo compressor

Taticamente, o Brasil de 70 operava em uma fluidez que até hoje desafia os sistemas modernos. Gerson, o ‘Canhota de Ouro’, era o metrônomo do time, lançando bolas de 40 metros com precisão milimétrica. Tostão, o atacante inteligente, abria espaços para as infiltrações de Jairzinho — o Furacão da Copa — que estabeleceu o recorde incrível de marcar em todos os jogos da competição. No centro de tudo, Pelé, no auge de sua maturidade física e mental, atuava como o regente supremo.

  • Jairzinho: 7 gols em 6 jogos (único jogador a marcar em todas as partidas de uma edição de Copa).
  • Pelé: 4 gols e 6 assistências, participando diretamente de mais de 50% dos gols do time.
  • Ataque Avassalador: 19 gols marcados em apenas 6 partidas (média de 3,16 por jogo).

O Caminho da Glória: Seis Jogos, Seis Vitórias

Diferente de outros campeões que tropeçaram ou empataram no caminho, a trajetória brasileira no México foi impecável. A campanha começou com uma goleada de 4 a 1 sobre a Tchecoslováquia. Seguiu-se o ‘jogo do século’ na fase de grupos: um 1 a 0 tenso contra a Inglaterra, então atual campeã mundial, onde Gordon Banks fez a defesa histórica na cabeçada de Pelé.

Nas quartas de final, o Brasil despachou o Peru de Cubillas em um eletrizante 4 a 2. Na semifinal, o exorcismo do fantasma de 1950 contra o Uruguai: um 3 a 1 de virada que mostrou que aquela seleção tinha não apenas talento, mas brio e resiliência. O gol de Clodoaldo, após driblar meio time uruguaio, e o ‘não-gol’ de Pelé (o drible de corpo no goleiro Mazurkiewicz) tornaram-se folclore puro.

A Final no Estádio Azteca: A Obra-Prima Definitiva

A decisão contra a Itália, em 21 de junho de 1970, foi o ápice do futebol arte. O placar de 4 a 1 não refletiu apenas uma vitória, mas uma humilhação técnica sobre o ferrolho italiano (o famoso Catenaccio). O quarto gol brasileiro, marcado pelo capitão Carlos Alberto Torres após um passe de Pelé que parecia ter sido medido por um compasso, é considerado o gol coletivo mais bonito da história das Copas. Dez dos onze jogadores brasileiros tocaram na bola antes do ‘Capita’ soltar a bomba no canto de Albertosi.

Por que o Brasil de 70 supera o Barcelona de Guardiola e a Holanda de 74?

Muitos comparam o esquadrão de 70 com o Barcelona de 2009-2011 ou o ‘Carrossel Holandês’ de 1974. A diferença reside na eficiência letal e no brilho individual. Enquanto a Holanda de Cruyff encantou mas não venceu, e o Barcelona precisava de centenas de passes para furar bloqueios, o Brasil de 1970 unia a posse de bola à verticalidade absoluta. Cada ataque era uma ameaça iminente de gol.

Além disso, o ranking destaca que o Brasil de 70 enfrentou e venceu três campeões mundiais (Inglaterra, Uruguai e Itália) durante sua jornada, consolidando sua superioridade contra a elite do futebol da época.

Legado e Imortalidade

A eleição do Brasil de 1970 como o maior time da história serve para lembrar as novas gerações que o futebol é, antes de tudo, entretenimento e beleza. O time de Zagallo não apenas ganhou a Taça Jules Rimet em definitivo para o Brasil; ele ensinou ao mundo como o jogo deveria ser jogado.

Hoje, em uma era dominada por métricas de ‘expected goals’ (xG) e mapas de calor, o esquadrão comandado pelo Rei Pelé permanece como a prova viva de que a intuição, o talento nato e a harmonia coletiva são as verdadeiras medidas de grandeza. Cinco décadas depois, as fitas granuladas do Estádio Azteca ainda são o manual de instruções para qualquer um que deseje entender a essência do futebol brasileiro.

Conclusão: O Eterno Padrão de Ouro

O reconhecimento do Brasil de 1970 como o ápice do esporte é um triunfo da nostalgia fundamentada em fatos. Não houve, antes ou depois, uma reunião tão densa de gênios em sua plenitude física. Ao olhar para o ranking e ver a bandeira verde e amarela no topo, o torcedor brasileiro pode se orgulhar: fomos, somos e talvez seremos para sempre os detentores do padrão de ouro do futebol mundial. O Tri de 70 não foi apenas um título; foi o momento em que o futebol atingiu seu estado de perfeição.